Sobre atrasos e descomprometimento
Este post escrevi há algum tempo (quase um ano), mas ficou na caixa de rascunho e não sei por que não publiquei. O que me impressionou foi a coincidência, pois uma situação parecida aconteceu onde trabalho. Não teve final desastroso, mas não sei onde pode parar… Vamos lá…

Apenas pregos ou uma cama de pregos?
Tive o prazer de comparecer a um ensinamento da lama Tsering Everest, no templo Odsal Ling. Em algumas palavras um pouco diferentes destas, ela disse que o atraso é uma forma de descomprometimento. Por exemplo, quando você se atrasa para o trabalho porque precisa tomar um chá antes, é porque o trabalho é algo pouco importante para você, mesmo você não querendo acreditar. “Ah, mas é porque o ônibus atrasou”. Às vezes, pode ser verdade. Mas se fosse algo realmente importante, como uma entrevista prá um cargo que você realmente almeja, sairia mais cedo de casa. Será que você não está mentindo pra si mesmo?
Ela também disse uma coisa muito interessante: as microdecisões (como esta de tomar o chá) podem influenciar na hora de se tomar uma grande decisão (macrodecisões), pois você acaba tendendo a se comportar da mesma maneira; está “treinado”. Portanto, devemos nos policiar sempre ao tomarmos as pequenas decisões no dia-a-dia. Complementando o pensamento, o filósofo chinês Lao-Tsu disse uma vez: “Todas as coisas difíceis têm sua origem naquilo que é fácil, e as grandes coisas naquilo que é pequeno.”
Utilizando o exemplo do trabalho: uma pessoa que se atrasa um dia no trabalho acaba se acostumando e atrasando por vários dias, cada dia atrasando um minuto mais. Outros colegas podem também se achar no direito de atrasarem, e no final, ninguém mais tem hora prá chegar ou sair. Essa situação pode ser complicada quando os colegas dependem um do outro diretamente. Consequentemente, um caos se estabelece, e aí o final pode ser desastroso.
Já pensaram se atrasássemos na vontade de sermos felizes? Seria o mesmo que nos descomprometer com a vida. Ainda dá pra mudar. Mais uma do Lao-Tzu, pra fechar: “Grandes realizações só são possíveis quando se dá importância aos pequenos começos”.













