Encontros e desencontros

“I just don't know what I'm supposed to be.” - Charlotte

Foto: Lost in translation

Estava numa dessas conversas de messengers genéricos com uma pessoa que se tornou bastante importante prá mim. Uma hora rolou uma conversa sem pé nem cabeça, sobre valores pessoais, e num momento saiu isso:

“…mas é engraçado os tipos de relacionamentos com outras pessoas… tem pessoas q a gente discorda na maioria das idéias, outras a gente concorda na maioria, e outras ainda a gente concorda, mas no fundo é indiferente.”

Bom, o contexto não importa, o texto tá confuso, mas prometi a ela que discorreria sobre o assunto.

Discórdia

No primeiro caso, quando discordamos da maioria das idéias de outra pessoa, é fácil. Basta nos afastarmos dela, e só conversarmos o necessário. Simples, não magoa e não dá trabalho.

Gostei do seu charme e do seu groove…

É muito fácil encontrar pessoas com quem temos afinidades, como gostar de rock, ou passear no parque, cozinhar ou assistir filmes europeus. Basta irmos a lugares que sabemos que encontraremos esse tipo de atividade.

Mas o difícil é encontrar pessoas cujos valores batam com os nossos, e cujos objetivos são complementares para um bom relacionamento a longo prazo. Difícil é encontrar “amigos-curinga”, que sempre estão lá pro que der e vier e se adaptam a qualquer situação, desde que estejam com você. Geralmente temos aqueles amigos prá comer uma pizza, prá dançar, aqueles prá ter um papo cabeça. Mas não acho que seja errado isso.

Valores, no caso, me refiro ao conjunto de traços ideológicos de uma pessoa. Como metáfora, um exemplo corporativo: os valores de uma empresa como a Volvo, que prega pela segurança de seus passageiros. Todos os funcionários se envolvem para que essa característica seja cada vez mais aprimorada, e isso acaba se tornando um grande objetivo. Todas as estratégias têm que obedecer a ele. O mesmo ocorre com as pessoas. No campo pessoal, se a pessoa tem valores plausíveis, realizará coisas plausíveis, mesmo que não perceba (na maioria das vezes, claro).

Quando nos relacionamos com alguém cujos valores admiramos, surge o amor platônico, idealizado por Platão, ou seja “um amor centrado na beleza do caráter e na inteligência de uma pessoa”. É um amor com raízes profundas.Não confundir com o conceito de amor platônico criado por Sir William Davenant na obra Platonic Lovers, entendido como um amor à distância, que não se aproxima, não toca, não envolve.

E quando ocorre o amor romântico? Bom, esse eu já não sei mais. Deixo para alguém discorrer sobre isso, porque essa fase já passou por mim e o vento levou, como um dente-de-leão que perde suas pétalas. E enquanto o ceticismo pairar no ar, e o amor platônico – no sentido daquele que não se concretiza – cair como chuva de verão, passarei a bola para o próximo.

Enquanto isso, vídeos mentirosos como esse:

Pronto, fiz minha lição de casa… =)

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2 respostas to “Encontros e desencontros”

  1. michele

    O amor Romântico, num sentido amplo, é um forte sentimento de apego. O amor gera desejos positivos e construtivos capazes de nos levar a sacrifícios cotidianos que em condições normais só faríamos por nós mesmos.A ciência moderna afirma que o amor romântico causa reações químicas.
    Quando a pessoa fica apaixonada, seu organismo produz grandes doses de três substâncias: dopamina, norepinefrina e feniletilamina. São anfetaminas naturais que provocam euforia e podem causar dependência. Isso explicaria o comportamento das pessoas incapazes de relacionamentos duradouros, sempre à procura de novas aventuras. Elas seriam viciadas em paixão. Se o relacionamento vinga, passados dois ou três anos os amantes começam a produzir endorfina, substância que dá sensação de segurança, calma e tranqüilidade.

    Se o Amor que sentia passou, ou o vento levou embora, não preocupe-se isso realmente não era amor, mas sim uma paixão causadas por essas substâncias.

    O Amor verdadeiro e real é aquele que nunca passa, vc vai ficar com várias pessoas vai fazer várias coisas, mas ainda sim acredito que esse amor vc nunca vai esquecer. Pois ele sim está dentro do seu coração guardado e arquivado. Podemos compara-los a um ARQUIVO MORTO a gente até tenta esqueçer deixa de lado, mas sempre que precisar vai saber onde procurar onde encontrar esse sentimento louco chamado AMOR.
    Que tipo de sentimento é esse?
    Que por hora nos faz feliz, nos trazendo bem estar e conforto, fazendo-nos entregar um ao outro de corpo e alma, fazendo-nos viver a vida de quem amamos (ou achamos que amamos).
    Como saber se realmente amo alguem?
    E por outros momentos nos faz sofrer, fazendo-nos chorar, fazendo-nos sentir uma dor tão ruim que parece que o peito está apertado, perecendo que o coração vai sair pra fora, fazendo-nos perder a fome.
    Que tipo de sentimento é esse?

    Acho que nem eu nem vc e nem a ciência vamos conseguir definir o que é realmente esse tal de amor.
    E quando realmente amamos de verdade!!!

  2. Si

    Um vídeo mentiroso que vem bem depois de um texto tão realista.
    Gabis, você escreve muito bem e os textos e poesias que escolhe p/ seu blog, são excelentes. Parabéns!
    Sou sua fã, desde que esse site nasceu, que bom que voltou a escrever de novo.
    Sucesso


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