Comprometimento

Miragem?

Quando eu era bem pequeno, não conseguia me concentrar em uma coisa só. Antes mesmo de terminar de comer, já estava brincando. Largava o desenho pela metade e ia assistir TV. Aí no final do dia, tinha a sensação de ter feito tanta coisa, e nunca estava satisfeito com nada. Um dia minha mãe me falou que me faltava comprometimento, e que se eu não me comprometesse 100% com alguma coisa, não conseguiria terminá-la. Quanto menos fazê-la bem-feita.

Confesso que até hoje às vezes “deixo tudo prá depois”, como diriam os Pato Fu´s, com a diferença que agora tenho mais consciência das consequências. Mas quando o assunto envolve outras pessoas – e não coisas -, tudo muda. Procuro seguir estritamente o que combinamos. Comprometimento com o trabalho, amor, amizade, passeios, atividades: quando outras pessoas estão envolvidas, são duas almas envolvidas. Dois corações que batem, e duas mentes que pensam (oh, não diga!).

O filósofo Martin Buber (1878~1965) defendia que existem dois tipos de relacionamentos: o do tipo Eu-Tu e e do tipo Eu-Isso. A relação Eu-Tu envolve o diálogo, o encontro e a responsabilidade, entre dois sujeitos e/ou a relação que existe entre o sujeito e o objeto. Já a relação Eu-Isso é impessoal e não gera comprometimento verdadeiro. Ele dizia que a relação Eu-Tu poderia virar Eu-Isso se não houvesse investimento sério em sua manutenção.

Eugenio Mussak cita as seguintes características como laços do comprometimento: admiração, respeito, confiança, paixão e intimidade. Acho inclusive que esses laços não devem estar presentes somente no comprometimento do amor romântico, ou do amor pelos amigos (relação Eu-Tu), mas chegando mais longe, no comprometimento pela vida. Admiração pela vida. Confiança que tudo vai ser bom (e já está sendo). Respeito pela vida, não se entorpecendo demais com lixos ou pensamentos, nem se privando demais. Aí, como consequência, acabamos nos comprometendo conosco mesmos.

É mais racional nos comprometermos antes conosco mesmos do que com o outro. Pois assim, se a atitude do outro não condiz com nossos valores, podemos até perder a amizade, respeito, confiança (tornando-se Eu-Isso). Mas a nossa consciência estará limpa, e não nos abalaremos por coisas que não dizem respeito só a nós. O budismo também prega situação parecida, através do não-apego. Mas isso fica prá próxima.

A falta de comprometimento alheia também pode nos fazer enxergar outras situações. Por exemplo, metaforicamente falando: num pôr-do-sol na praia, se não houvesse comprometimento entre o mar e as nuvens, não haveria belas paisagens. Entretanto, se as nuvens não se afastassem, não veríamos as estrelas.

PS. meus posts estão um pouco confusos, mas aos poucos, vou melhorando… hehehe

Category: Sem categoria One comment »

uma resposta to “Comprometimento”

  1. Yael

    Olá Biel,
    Gostei muito do seu blog e de conhecer um pouco mais de você.
    Você escreve de forma interessante e envolvente!!!
    Me encontrei em vários pontos por aqui descritos…engraçado né?
    Um beijo
    YaYá


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